É preciso travar. É preciso moderar. É preciso humanizar o ritmo da vida das pessoas, sobretudo das crianças. O telemóvel passou a ser o melhor amigo e o pior inimigo de toda a gente. Preconizamos a criação de Cidades do Futuro em que os semáforos nos dois sentidos abram e fechem, em regra, com intervalos de 5 segundos para o trânsito normal e as faixas de rodagem dos transportes colectivos com intervalos de 8 segundos. Seria a maneira de acabar com o barulho infernal do rodar dos pneus das viaturas no asfalto.
Outro problema fundamental das Cidades do Futuro é a excessiva carga de “trabalho” com os deveres escolares que hoje se exige às crianças.
¶ 6/23/2009 04:58:00 PM
22 Junho 2009
SOLTAS
O PUTEDO E O ALTERNE O ANTIGO E O MODERNO O ALBERGUE DA POLÍCIA
A VOZ DO PASSADO.
Quando eu estive como director do Centro de Apoio Social de Lisboa, as então chamadas putas iam parir os filhos ao hospício da Polícia. Ao contrário, hoje a Polícia persegue, multa e prende as raparigas de alterne: -Passaram a ser fonte de receita e de chulice. Há que rever o assunto.
¶ 6/22/2009 04:12:00 PM
18 Junho 2009
SOLTAS
“SOLUÇÕES” PROBLEMÁTICAS
Na verdade, problemáticos, não são os bairros degradados. Problemáticas são as actuais soluções policiais. Só quem não conhece a acção de organizações do tipo da Comunidade Vida e Paz – e são muitas –, que se deslocam aos bairros degradados e fora deles, a prestar assistência e a distribuir alimentos e medicamentos. Bairros tranquilos de toxicodependentes que têm no bolso a sua dose de droga e são, por vezes, perturbados por grupos violentos de polícias que lhes tiram do bolso a droga e transformam os bairros num pandemónio. Está errado. O problema, quanto a nós, só se resolve quando voltar a ser reconstituído um estabelecimento da polícia como o que eu dirigi durante vários anos: -O Centro de Apoio Social de Lisboa (antigo Albergue Distrital da Mitra, pertencente à PSP) onde se albergavam cerca de 1.300 sem-abrigo e outros tantos em Alcabideche, no Pisão, onde existia um hospício de loucos. E em Lisboa duas camaratas com duzentas camas, uma de velhos, outra de velhas, permanentemente acamados. Tudo o que se passa em Lisboa e eventualmente no resto do país, decorre de não se entregar à polícia o controle e solução deste problema. A PSP é, quanto a nós, a única entidade idónea e com capacidade para o resolver. Os departamentos da Segurança Social não têm a mínima eficácia e o resultado está à vista: -São centenas de toxicodependentes espalhados pelas ruas, desde o Intendente ao Rossio, desde as ruas mais esconsas às mais concorridas. São montes de pessoas, de coisas, sem-abrigo, sem assistência, sem nada que lhes assista, que as socorra, a não ser as referidas organizações do tipo da Comunidade Vida e Paz. Os actuais processos policiais, entre nós adoptados, mereciam ser repensados no sentido que preconizo: -O de pedir à polícia a sua participação na solução do problema. Aliás, a Polícia de Segurança Pública de Lisboa, Porto e Coimbra devia ter um comando único só da polícia, que poderia requisitar, em caso de necessidade elementos, das Forças Armadas para a coadjuvar em caso de emergência, mas mantendo só ela o comando geral da polícia.
¶ 6/18/2009 03:04:00 PM
SOLTAS
EJACULAÇÃO
NÃO É PREMATURA. TODOS OS HOMENS REAGEM DA MESMA MANEIRA. OS ESPERMATOZÓIDES ENTRAM TODOS NA CORRIDA. E CADA ESPERMATOZÓIDE VENCEDOR É O PRINCÍPIO DE UMA VIDA.
¶ 6/18/2009 02:24:00 PM
SOLTAS
A LÍNGUA
A ideia é fundamental: -O património da Língua. Que tem sido descurado. Não pelo Ministro da Cultura. Mas pela teimosia cega do Senhor Primeiro-ministro. Que, não sendo estúpido, pela sua pertinaz teimosia, comprometeu a vitória do PS. Afugentou toda a gente. E está num beco sem saída: -Ou se desdiz e arma em manso, ou continua na mesma. E faz uma figura triste.
Não acredito. Está-lhe na massa do sangue ser espertinho e dar com os burrinhos n’água. Com ele é fatal. E a coisa, no fim, tudo pesado e medido, está nas mãos da Dra. Manuela quando disser se vai querer ou não a aliar-se com o CDS. Se quiser, temos o país ingovernável: -E o Presidente da República terá que dissolver a Assembleia e demitir o Governo… O que é no fundo o que ele deseja: -Ter a Dra. Manuela como Primeiro-ministro. Com um contra: -É que antes de dissolver, tem que dar à Assembleia a possibilidade de constituir novo Governo. E aí, voltamos a não saber a lei que nos vai reger e teremos eleições. O futuro não é brilhante, nem risonho. Não depende de ninguém. Depende da nossa pouca sorte de sermos portugueses e de falarmos demais. É a Língua. E já lá diz o ditado: -Pela Língua morre o peixe.
Apostilha: -O meu neto Ivan chamou-me a atenção para o facto de já estar ultrapassado o prazo em que o Presidente da República podia demitir o Governo e dissolver a Assembleia da República. Assim sendo, têm a palavra os constitucionalistas.
¶ 6/18/2009 12:35:00 PM
09 Junho 2009
SOLTAS
FINITOS EST SED CONSUMATOS NON EST
O PSD “ganhou”. Provisoriamente. O eleitorado PS foi de férias: -Rari nantes in gurgite vasto. Não votou. Mas nas Legislativas, os eleitores PS vão cerrar fileiras e vão votar em massa. E a diferença que prevejo, entre o PS e o PSD, é superior a dois deputados, com a vitória do PS. É isto fundamentalmente o que penso que vai passar-se. O Rui Tavares fez a diferença. Deixo um abraço.
¶ 6/09/2009 05:21:00 PM
04 Junho 2009
SOLTAS
O PROBLEMA BASE
O novo desemprego aconteceu por efeito da evolução do próprio processo em que o Governo se envolveu. A solução é o NÚMERO NACIONAL DE CIDADÃO, que definirei melhor ulteriormente. Quando lancei a ideia ao Dr. Henrique Martins de Carvalho, então primeiro Ministro da Saúde, em 1962, ele disse-me: -Tenha calma. Pense noutra coisa. Volte a falar comigo daqui a cinquenta anos. Eu tinha-lhe feito a sugestão de pedir ao Governo a criação do Número Nacional de Dador de Sangue, com vista ao socorro em sangue na estrada em caso de acidente e depois do caso Agostinho. Pôs-me no Santa Maria, na administração. Depois o Salazar correu com ele. E eu vim-me embora também. Passaram 47 anos. Aparece agora o primeiro sinal de luz ao fundo túnel.
Aguardemos, esperançados, a ver o que isto dá. Quanto a nós, sem o NÚMERO NACIONAL, nada feito. Diremos a seguir porquê: -Fundamentalmente, haverá que individualizar, ainda na barriga da mãe, todos os nascituros das novas gerações.
¶ 6/04/2009 02:04:00 PM
SOLTAS
EM PORTUGAL
ERRADO. Polícias fardados e outros desfardados: -Secos e molhados. Tudo misturado com sindicalistas, vadios e trabalhadores. Eterna misturada do Portugal de sempre.
EM INGLATERRA
CERTO.Vi há dias uma fotografia de polícias gay fardados. O sexo é coisa íntima e direito pessoal de cada um. E ser gay nada tem a ver com ser polícia, ser juiz, ser padre ou ser deputado. É igual. É assim na Espanha e na velha Albion.
E vi também uma fotografia, que não sei onde pára, de padres paramentados a rigor. Jovens com ar saudável. "Apetecíveis". A finalidade era, segundo creio, permitir às confessadas escolher o seu próprio confessor. Achei que as fotografias tinham o seu quê de “picante”. Porque sugeriam a mistura do divino e do pecado.
¶ 6/04/2009 11:31:00 AM
01 Junho 2009
SOLTAS
O FUTURO DA CRIANÇA
BOA IDEIA. A criança é o futuro. Crianças informáticas Vs crianças de família tradicional. A nova humanidade juvenil resultado da mistura das várias modalidades. Na minha família, a Rita, com 9 anos, é a chefe da família mais miúda. Exerce as funções que no meu tempo correspondiam a um chefe de turma. Só que mais ocupado: -Estuda Inglês, estuda música, faz parte de um grupo coral, consulta a Net… Sabe tudo. Ultrapassa os pais. É independente. Impõe-se, pelas atitudes que toma: -Alheia, indiferente, determinada. É um chefe. É uma semente da humanidade do futuro.
¶ 6/01/2009 04:50:00 PM
26 Maio 2009
SOLTAS
I – MIÚDOS DA ESCOLA SALAZARENTA
- Uma das milhentas anedotas que ilustra a maneira sarcástica, jocosa, e inteligente como a Esquerda criticava o regime Salazarista:
Na sala de aula a professora iniciou a prova oral do exame da instrução primária: Então diga-me lá: Qual foi o primeiro rei de Portugal? O aluno respondeu de imediato: Foi o senhor Dr. Oliveira Salazar. A professora ouviu e nem pestanejou… Mas, antes de formular outra pergunta recomendou: não se precipite…Pense bem antes de responder… Diga-me quem foi que descobriu o Brasil? O rapaz cerrou os olhos, concentrou-se e respondeu com ar triunfante: …Foi o senhor Dr. António Oliveira Salazar. A professora olhou para o colega ao lado trocou com ele umas impressões em voz baixa e depois dirigiu-se ao examinando e disse-lhe: - Pode-se ir embora, terminou o seu exame. O rapaz perguntou: - Passei? - Não. Reprovou. O miúdo levantou-se a choramingar e já no meio da sala voltou-se para trás e dirigindo-se à professora disse em voz alta: Comunista!...
II – DEPOIS DE ABRIL, a Esquerda progressista (anti Salazarista quando Salazar defendeu contenção salarial e Salazarista quando Salazar defendeu – e defendeu até à morte rendas congeladas – destruindo o imobiliário…). E tal ainda - como os salazaristas - mentem às crianças de maneira boçal. Salpicando de merda a Liberdade.
Afirmações e comentários de crianças num programa da SIC Notícias no dia 25 de Abril de há dois ou três anos – 1h21m
● “…escolheram uma canção que era proibida naquela altura pelo ditador, não podia passar na rádio…”
● “…se as pessoas fizessem alguma coisa que o ditador não gostava eram presas pela PIDE…”
● “…o ditador escolhia as músicas…”
● “…Portugal era horrível…”
● “…pessoas, principalmente homens junto com os soldados em cima dos tanques a fazer a revolução e quando o ditador viu aquilo não achou muita graça e mandou a polícia …”
● “…houve uma senhora que distribuiu cravos…”
● “…conseguiram vencer o ditador e assim já podemos estar a falar mal…”
● “…já era um bocadinho de liberdade de expressão, já tinham mais um bocadinho de dinheiro. Antes era tudo muito mau, muito pobre e o Salazar é que era muito rico. Agora somos todos iguais…”
Afinal o que mudou? Valeu a pena? Foram as crianças que ganharam? Foi o povo? Fica a pergunta. O Zeca Afonso diz que não.
¶ 5/26/2009 12:55:00 PM
SOLTAS
O FOLHETIM CATALINA
Discordamos. Fugir não é solução. A Dra. Catalina declara-se incompetente: -Não fez na Casa Pia o que devia ter feito. Faltou-lhe coragem. Teve medo. Medo que a levou a calar o que sabia. Medo de dizer o que continua a calar. Se eu fosse Ministro, demiti-a. Acabar com a Casa Pia não seria acabar com a pedofilia. Rebentar o tumor da Casa Pia seria por em risco os outros centros de infância ainda sem pedofilia.
¶ 5/26/2009 12:32:00 PM
20 Maio 2009
SOLTAS
COMENTÁRIO
Pior que isto é o que ocorre e me ocorreu a mim quando (já pela segunda vez) tendo vendido prédios, os compradores não declararam, como deviam, na Repartição de Finanças, as respectivas compras. E quando assim acontece, acontece também que é o vendedor que vai continuar a pagar IMI sobre o valor do imóvel que vendeu. Em ambos os casos, para o evitar, mandei eu pagar do meu bolso as importâncias devidas pelos compradores “distraídos” que não efectuaram as participações. A instâncias minhas, em qualquer dos casos, os compradores foram fazer comigo as participações. E quando eu pensava (ingénuo) que ia no acto ser reembolsado das importâncias pagas por mim, disseram-me que não, que tinha que aguardar não sei ainda bem o quê: -e de concreto o que sei é que da primeira vez demorou ainda vários meses a ser reembolsado da importância que desembolsei sem ser devida e com a qual o Estado se locupletou à minha custa durante vários meses com a mais despudorada pouca-vergonha. E no segundo caso aconteceu a mesma coisa e ainda estou à espera e vou continuar sei lá até quando que o Estado vá utilizando a importância que paguei sem ser por mim devida. Em muito mau estado está o Estado em que vivemos. Cheira a podre.
¶ 5/20/2009 12:37:00 PM
18 Maio 2009
SOLTAS
O RONCOLHO
Esta notícia lembra-me um episódio passado comigo na tropa, em 1944: -Frequentava eu, então, o 1º ciclo do curso de oficiais milicianos de Cavalaria em Lanceiros 2, em Lisboa. As aulas de Hipologia eram às duas da tarde… Era verão, Agosto, um sol ardente e um calor na sala de aulas, depois de almoço, que era difícil resistir ao sono. Um de nós, o D. Lopo de Bragança, não resistiu, largou-se a dormir e ressonou. O Capitão Aguiar, também sonolento, reagiu e perguntou: -Sr. Lopo de Bragança, diga-me, por favor, o que é um cavalo roncolho? O Capitão tinha acabado de explicar que se chama roncolho ao cavalo que só tem um testículo. O D. Lopo, acordado de repente do sono reparador dos desgastes duma manhã violenta, seguida de abundante almoço – e sol de Agosto a aquecer a sala onde decorria a aula – atordoado, sonolento, levantou-se e disse: -Meu Capitão, antes dos mais, um cavalo roncolho é um infeliz. Entre os sorrisos maldosos da malta, o Capitão Aguiar quedou-se meditabundo… como quem está a sonhar… A sonhar talvez que o infeliz que o D. Lopo referia, só um lhe tinha restado dos dois que devia ter. D. Lopo com seu dizer tinha saído por cima.
¶ 5/18/2009 05:11:00 PM
15 Maio 2009
SOLTAS
DESEMPREGO
Hoje em Portugal, a principal notícia foi o desemprego. São quase 500 mil os desempregados, segundo o Instituto Nacional de Estatística. As perspectivas do Governo oscilam entre o fatalista e o irresponsável, que são as duas notas genéticas do lusitano: -alega-se que na Alemanha vai ser pior, ocultando-se o facto de que nós estamos num patamar muito mais baixo. A solução, para o Governo, é a de um orçamento suplementar (como se não bastasse o que temos, ou o orçamento resolvesse alguma coisa…). Para a oposição deve, ao contrário, fazer-se um orçamento rectificativo. Não se entendem. Era de esperar… Se eu fosse governo, o que eu faria (já tinha feito…) era extinguir a Caixa Geral de Aposentações e a Caixa Nacional de Pensões. Para além de todas as demais caixas de previdência das diversas actividades, incluindo as Ordens das profissões liberais. Todo o pessoal no activo, independentemente da sua função e categoria profissional, começava a ser reclassificado (excepto os profissionais que exerçam profissões liberais) e era-lhes atribuída a mesma ou diferente função e categoria e um ordenado superior ao que tem e em qualquer caso superior ao ordenado mínimo, quer trabalhasse, quer não. Aliás, as horas de trabalho dependeriam do seu estado de saúde, da sua compleição física e da sua apetência (do seu gosto para fazer o trabalho). A sua capacidade de trabalho seria medicamente avaliada em cada caso. Não havia reforma. Trabalharia até que pudesse e quisesse e o fizesse com gosto (até aos 100 anos seria o ideal). Concretizando: -havia duas áreas estruturais de integração da actividade laboral de cada pessoa: -a área oficial e a área da actividade privada. O regime vigente de contratação e intervenção sindical manter-se-ia para quem o preferisse. As empresas contratariam pessoal livremente, discutindo os termos dos contratos com os sindicatos, como até agora. Mas as empresas, sobretudo as pequenas, poderiam, em alternativa, requerer aos serviços oficiais a mão-de-obra de que necessitassem, de acordo com uma tabela que lhes seria fornecida mensalmente do preço por hora nas diversas especialidades, com inclusão, no preço, dos respectivos encargos fiscais e sociais. A pequena empresa não tinha assim que pagar quaisquer contribuições relativas aos trabalhadores. Esta era a linha geral, que tem a ver com o ir ao encontro dos problemas concretos que não se resolvem com orçamentos, quer sejam suplementares, quer sejam rectificativos. Nem tem a ver com atirar pessoas para situações de “desemprego” que são melhores que estar empregado porque recebem, a custa do erário público, uma parte importante do ordenado sem nada produzir. E depois, na “gancharia” (trabalho não declarado, “isento” de IRS) situação que acaba por ser mais vantajosa do que estar empregado… É um sistema antigo. Quando empresário (já por lá passei…): -conheci pais, mães e filhos da mesma família, que iam estando de baixa sucessivamente e procurando emprego só quando terminava o prazo de qualquer deles. O que no fundo resultava que havia sempre pelo menos um membro da família que estava de baixa. Há que acabar com isso. E acabar também com as “baixas” de falsas doenças: -tive um empregado que “esteve de baixa” três anos e a doença nunca foi verificada… Porque a mulher era empregada do Centro de Saúde responsável. Esse meu empregado trabalhava ao balcão doutro estabelecimento da área da residência… impunemente, em inteira liberdade. Por hoje, deixamos esta achega. Amanhã ou depois vamos continuar.
O Dia Internacional da Família é hoje celebrado no mundo ocidental: -o tema imbrinca directamente noutros: -na mulher, na criança e na família não parental. E, por extensão, na delinquência infantil e juvenil. Amanhã ou depois far-lhe-emos referência.
¶ 5/15/2009 03:20:00 PM
13 Maio 2009
SOLTAS
Jornalismo isto? Jornalistas? Merda, lhe chamaria eu. Quanto ao Código Penal, se dele houver invocação, por parte do ofendido, resta saber quanto tempo – a eternidade…? – haverá ele que esperar para ver feita Justiça – se alguma vez se fizer – por efeito de sentença da merda dos Tribunais.
OS DIREITOS DE AUTOR
Obviamente que o TRIBUNAL (se ainda houvesse juízes) devia mandar varrer o lixo.
¶ 5/13/2009 01:22:00 PM
15 Abril 2009
SOLTAS
Dos que, como eu, em miúdos chafurdaram na fossa dos esgotos que da Quinta dos Apóstolos (a que depois chamaram Rua Lopes) escorria encosta abaixo, a céu aberto, até aos caminhos de ferro… E onde as mães (geralmente varinas, vendiam peixe) chamavam aos filhos, filhos da puta. Mas, ai de quem as chamasse a elas… Que os filhos não perdoavam a quem ofendesse as mãisinhas… Hoje as mães não chamam aos filhos filhos da puta… Talvez porque muitas delas nem sequer sabem quem são os pais dos seus filhos… sabem que andam por aí uns com os outros… Que por vezes também eles não conhecem pai nem mãi… São parentes uns dos outros, membros de novas famílias resultantes de coisas, de ocasiões que por vezes acontecem em qualquer lado, às vezes em pé, no autocarro ou outros sítios assim…
É a vida. Mudou. E é esta certeza, esta amargura que levo comigo. É assim…
¶ 4/15/2009 10:41:00 AM
06 Abril 2009
SOLTAS
Parabéns Ivan. Uma pequena lembrança do Avô.
MACACOS
Quando andava na “Aurora Social”, eu e os outros miúdos da minha Escola, íamos, as vezes, ao Coliseu ver os palhaços. Outras vezes íamos ver os macacos, ao Jardim Zoológico. Dávamos-lhes amendoins. Andavam por ali na Aldeia, que era o seu território:- algumas macacas “flirtavam”, ao que parecia, disfarçadamente, com outros macacos que as cortejavam… Como se fossem mulheres casadas… Os macacos “maridos” se davam por isso, iam buscá-las, davam-lhes porrada, e metiam-nas em casa. Depois sentavam-se à porta e ostensivamente, olhando-nos de frente, em ar de desafio (…afirmação do direito de posse e propriedade da fêmea e de pujança viril?) faziam uma sarapitola… Nós, os miúdos, com os gérmenes de machos, já a ferver-nos no sangue, riamos, em gargalhadas altas, divertidos. As “colegas”, miúdas ainda, mas já sabidas, filhas – em regra – de putas batidas… cochichavam em risinhos “contidos” o olho colado – e talvez já guloso – no piço vermelho e sujo de molho do macaco cornudo…. …Como aconteceu a Darwin – alguns homens, parece, descendem de macacos:- existindo neles, o mesmo sentido da posse a mesma esperteza simiesca… Aliás este pormenor leva-me por vezes a pensar se não serão os macacos (ou pelo menos alguns) descendentes dos homens…
Já no que respeita às macacas tenho uma visão diferente e a mais vincada é a do seu amor maternal:- que não sei de macacas que tenham dado fim à vida dos filhos… embora com mulheres, e tanto quanto sei, já tenha acontecido:- algumas terem matado os filhos... As macacas não. Não sei de nenhuma.
São mais humanas…(1)
(1) E será também que ao contrário de muitas mulheres acreditam na Virgem Maria?
¶ 4/06/2009 04:24:00 PM
27 Março 2009
A VISITA DO PAPA
ACHEGADA
Os negócios, a banca, a sordidez, do Vaticano
A negritude A bênção O apartheid A Guarda Pretoriana
APARTIDA
Miúdos sentados à porta do Eduardo (1). Esperam. Jesus crucificado. Sozinho. Espera também. (1) Diz um ditado (ou provérbio) chinês: "se não podes vencer o teu inimigo, senta-te à porta dele e espera que morra".
¶ 3/27/2009 05:33:00 PM
05 Novembro 2008
YMA SUMAC
O Ivan telefonou e disse: Avô. Morreu a Yma Sumac. Senti a garganta a apertar-se e uma irreprimível vontade de chorar. Onde é que viste? Vi no Público. Vou-te mandar um e-mail… Não respondi. Não pude… ----------------- …Mas era da tua idade, Avô. Eu sei: tinha vinte e poucos anos… recordei.
¶ 11/05/2008 07:20:00 PM
04 Novembro 2008
NA AMÉRICA Vão acontecer eleições Vai eleger-se o Futuro
Não mais dos que vão morrer,
Mas dos que vão nascer.
Vão finalmente regressar a casa Os jovens americanos mutilados ou em caixões de chumbo Mortos Sem saber porquê.
Velho de 86 anos Não tenho futuro Tenho passado Vivo de recordações e sonhos: Sonho com Estados independentes de maioria negra; E ao mesmo tempo recordo-me - e tremo - do Mandela e da África do Sul Dos bandos de negros, a chacinar brancos, a expulsá-los das terras. Que os Homens, se é certo, que por fora são de tons de cor de pele mais ou menos diferentes; Por dentro são todos mais ou menos iguais.
Hoje “à noite”, às duas da manhã, liguei para a Baby. A Baby é Major em New Jersey.
¶ 11/04/2008 07:41:00 PM
08 Agosto 2008
O ENGARRAFAMENTO
ERGO SUM?
Cansado de esperar – e sobretudo farto de viver – na merda que, no fundo, é este mundo –, um destes dias, enchi-me de coragem, E perguntei à Virgem Maria se me podia dizer, se soubesse, quando é que eu me livrava, de vez, de toda esta fantochada e embarcava, finalmente, desta para melhor… E, aproveitei ainda para lhe dizer que não achava justo, que Deus não tivesse já mandado dar por findo o castigo que me deu de continuar vivo, dado que eu próprio já reconheci estar ultrapassado e preparado para ir para o outro mundo.
…Sabes, Salvador, disse-me a Virgem Maria, baixando a voz de tal maneira – e ciciando-me as palavras ao ouvido que mal percebia o que me dizia:- Deus sabe perfeitamente que tu estás, não só ultrapassado, como balhelhas e gagá de todo… Sabe, portanto que há muito tempo já, devia ter despachado o teu caso. Ainda assim, pediu-me para te dizer – para que saibas que não tem nada de pessoal contra ti – que a razão da demora, tem sido só porque:- o Céu, apesar de Infinito – dada a demência que neste momento está a avassalar o mundo – não tem capacidade para receber as almas de tantos seres humanos. Que, em tantos lugares – e ao mesmo tempo – estão a ser mortos, – assassinados – pela tortura e pelo terrorismo ou dizimados pela doença e pela fome… Mas, quanto a ti, terminou, garantindo-me que, em breve, vai pedir ao São Pedro que lhe leve a despacho o teu processo…
Em resumo, do que me disse Nossa Senhora, ficou-me a certeza, – com fundamento na garantia dada por Deus – que, em qualquer momento, vai despachar o meu processo… e quanto às razões que, no fundo, são a verdadeira causa não só da demora mas de tudo o que de mau está a acontecer no mundo, é que, neste mundo – em que, por graça de Deus, – tudo muda e se repete, harmoniosamente, só não muda e permanece – por obra do Demónio e sempre igual a si mesma – a natureza malvada da condição humana. Da mesma opinião, a Virgem, recordou também que, ainda há pouco tempo – há cerca de 2.000 anos, – Deus, Nosso Senhor pediu a Jesus Cristo, para vir à Terra tentar pôr um ponto final na tremenda desordem, em que os homens a tinham posto… E Jesus veio… mas, muito novo ainda, bondoso por natureza e sem experiência da vida terrena, quando o agrediam, oferecia a outra face… e tomava ainda outras atitudes – que ninguém antes dele tinha tomado neste mundo – …perdoando sempre a quem o ofendia, curando doentes incuráveis, restituindo aos cegos a visão… ou mesmo, ressuscitando pessoas que tinham falecido, em suma, fazendo milagres, prègando e praticando o amor, a tolerância, a bondade, o perdão… O resultado foi terem-no moído com pancada e no fim pregaram-no numa cruz entre dois ladrões.
…Agora, o Pai, ao tentar – pressionado por São Pedro – resolver a crise da falta de espaço no Céu, pediu outra vez ao Filho para vir novamente à Terra – prègar, arranjar mais discípulos, fazer mais uns milagres, deixar-se novamente agredir e voltar a dar a outra face, enfim, ver se podia, mais uma vez, tentar fazer alguma coisa pela Paz, pela Justiça e, sobretudo, pelo amor de cada ser humano a Deus e aos direitos e à liberdade dos seus semelhantes. …Mas Jesus que não tinha esquecido as agressões de que ainda eram visíveis na testa as marcas mal cicatrizada dos espinhos… nos pés e nas palmas das mãos furadas pelos pregos – respondeu-lhe: Foda-se, Pai! Vá lá você! Quero que os gajos vão p´rá grande puta que os pariu… Cabrões… Da outra vez, o Pai mandou-me ir à Terra e ser bom… E eu fui… Mas ir lá outra vez? Isso não Pai. Não vou… Quero que eles se fodam…
Estas foram as palavras que a Virgem Maria me disse (em segredo…) ter ouvido a Jesus: E acrescentou ainda que, para além do engarrafamento, no Supremo Tribunal do Céu, os julgamentos estavam atrasadíssimos…
Os Padres Confessores são poucos e estão muito velhos… – há cada vez menos vocações… e os restam estão cheios de trabalho:- têm que ouvir, “em confissão”, as almas, à medida que vão chegando ao céu; consultar os registos dos pecados, de cada uma, ouvir os ofendidos, as almas das testemunhas, elaborar a Especificação e o Questionário… e, remeter de seguida o processo ao São Pedro com vista ao Julgamento Final de cada Fiel Defunto. Acontece porém, que tal como o trabalho dos Juízes nos Tribunais da Terra é muito dificultado pelos segredos de Justiça e prisões preventivas que é foro sagrado do Ministério Público… nos Tribunais Celestes o que perturba o trabalho dos Padres são, sobretudo, as diferentes formas de suborno:- as missas por alma dos defuntos e as dádivas à Igreja dos devotos pecadores para comprar as “indulgências” do Senhor… …E isto, só no que respeita aos pecadilhos mais vulgares, do género das penachadas extraconjugais ou ir a bares, “só para homens”, às escondidas, “espalitar” os dentes nas pilas de desconhecidos… em suma, os pecados miúdos… Porque quanto ao crime grosso, nos quais, – toda a gente “sabe” – está metida muita “massa”, ficam no “esquecimento” por imposição do poder laico ou do próprio Vaticano. Resultado: há bichas e bichas de almas que aguardam chamada, no Purgatório, que corresponde na Terra, à Prisão Preventiva, sem culpa formada, cujo fim – tal como a morte – e como na Terra – só Deus sabe quando vai chegar. É certo que o São Pedro é hoje, também, uma espécie de Procurador-geral dos Tribunais Siderais, funções que acumula com as de Director Geral da Santa Inquisição. Como acontece cá em baixo:- Tem tudo na mão… Mas quanto ao resto (o peixe miúdo…), não: - as Santas por exemplo, noutro tempo, quando o S. Pedro lhes pedia, ajudavam nas Igrejas, nos conventos, em suma onde era preciso… agora, não… estão-se cagando… Sindicalizadas na Inter Celestial – estão quase sempre de baixa, por doença, a receber subsídio ou de assistência à Sagrada Família... Fazem greve, andam na “boa vai ela”, em manifestações, aos berros, na justa luta… é uma rebaldaria.
…Velho, muito doente – sabendo agora, pela Virgem Maria que Deus me vai libertar, em qualquer momento –, enchi-me de coragem, perdi a vergonha e resolvi pôr-lhe as minhas dúvidas, os meus receios, o medo do que me irá acontecer quando a morte vier e disse-lhe:- Mãe. Tu concebeste-me sem pecado. Não me pariste. Sou teu filho por graça de Deus… Eu sei… O que não sei é... Diz-me Mãe: Eu tenho Fé e Acredito em Ti. Mas Tu existes, Mãe? Ou só te vejo em sonho? E Deus existe?
A virgem olhou-me nos olhos e depois disse:- Meu Filho, Vou-te contar uma história verdadeira…
Aquele ruído… De chuva forte. A cair no estrado de madeira e sobre o chão de cimento... monótono, monocórdico. E, talvez ainda e sobretudo, vagamente agressivo, ameaçador… Ao centro do balneário, uma espécie de palanque, de madeira qual torre de vigia de prisão de alta segurança… Lá em cima, um homem segurava nas mãos, duas agulhetas… Que, como se fossem armas de guerra, crepitavam em simultâneo ou alternadamente, jactos de água – quente e fria. À volta, em semi-círculo, nas cabinas, com portas numeradas, os banhistas, na maioria doentes, mais ou menos idosos, aguardam, como touros nos curros, que as portas se abram e comece a lide do duche escocês... Uma pancada leve na porta e uma voz avisa-me: "o senhor doutor, quando quiser, pode entrar". Entro de seguida e os jactos começam a fustigar-me moderadamente os pés, as pernas, as costas, o peito... Entretanto, passa um minuto ou dois e a voz do homem da agulheta vem em tom suave: "pode virar...". E eu viro. "De lado. De frente. Novamente de lado. De costas"... Macia, a voz continua, mais um pedido que uma ordem: "pode virar!"... "pode virar!"... Passam dez, quinze minutos... Cala-se finalmente o som do que pareciam bátegas fortes de chuva a cair no estrado de madeira sobre o chão de cimento. "Muito obrigado" diz, servil, o homem da agulheta. Depois, sentei-me numa cadeira a repousar já na cabina, a porta aberta, continuando a ver o que se passava no balneário: Trôpego, inseguro, avançou um velho. Não era difícil ver que era de condição humilde: o rosto e as mãos tisnadas pelo sol, do sol a sol: provavelmente um rural da região a quem, os trabalhos do campo, uma vida inteira, sem resguardo do frio e da chuva, anquilosaram. Das duas agulhetas, a água recomeça a jorrar: quente, fria... A voz do homem, agora autoritária, vagamente hostil, impaciente comanda: "de lado!"... "de costas"!... "Vira!...", "Vira!..." Agarrado ao varão de apoio o velho encolhe-se, fustigado pelas agulhas do jacto forte a furar-lhe as dobras da pele, vazias de carnes, a moer-lhe os ossos... "cabrão filho da puta… pensei. Sádico, o homem das agulhetas continuava: “Vira! Vira!” …agarrado ao varão o velho não virou mais. Tinha chegado ao limite. O homem da agulheta rodou os manípulos e veio o silêncio. O velho ficou ainda algum tempo dobrado sobre o varão... Por fim, endireitou-se, olhou, de frente, o homem da agulheta e murmurou: “muito obrigado”... E foi andando, de regresso à cabina, mais trôpego… e ia jurar, mais doente, mais velho, do que antes do “tratamento”…
Virando-se de novo para as cabinas, o homem das agulhetas voltou a gritar: "Outro"... Com dificuldade, vesti-me e saí. Já no parque, sentei-me num banco, exausto… e, como que, vagamente angustiado… Fechei os olhos, mas continuava a ver e a ouvir – não conseguia libertar-me – da imagem do velho agarrado ao varão e da voz autoritária do homem: “Vira!... Vira!...” E, sobretudo, não conseguia libertar-me da dúvida de saber qual de nós dois: o homem da agulheta ou eu – que não fui capaz de socorrer o velho quando estava a ser fustigado – seria o mais perverso, o mais malvado …Que o mais cobarde, o mais nojento dos dois, eu sabia quem era… Outono dentro… das árvores, soltavam-se folhas que iam caindo à minha volta e sobre mim, em sussurros murmurados, – que só eu ouvia –… tentando consolar-me.
¶ 7/29/2008 04:18:00 PM
30 Junho 2008
AVISO
Às pessoas decentes e civilizadas,
Este post usa linguagem suja, ordinária, que foi a entendida mais adequada e ao nível de uma atitude do Scolari, seleccionador da equipa de futebol de Portugal, no decurso do Europeu de 2008. Buba
SCOLARI
É portuga de lei. E esta verdade como punhos nada tem a ver com o Acordo Ortográfico, nem com o que diz o Graça Moura. O Scolari provou-o quando embora no exercício de funções – funções em que cagou – enfiou uma murraça nas trombas de um jogador, que o chateou. E pronto. O portuga é isso mesmo: peido e coice… Uma besta. Que o Scolari também era… Com honra. Julgava eu… …E já agora, que estou com a mão na massa, – e antes de continuar – reparem também nos olhos do Nuno Gomes: E vejam que nos olhos dele não há nem sombra de crítica ou de desaprovação ao desforço do Scolari. Nos olhos do Nuno Gomes o que se vê é que está a avaliar da eficácia do murro do Scolari para produzir o correctivo que se impunha. Pela minha parte gostei…Também portuga achei até que foi uma boa decisão… E que pena foi que o Scolari a não tivesse tomado mais vezes enquanto esteve entre nós. E sobretudo que não tivesse dado também a alguns jogadores da nossa selecção – que por vezes bem o mereciam – uns bons murros no focinho… Eu acho…
Quanto ao resto e quanto a mim, não foi o murro – bem dado e a pedir bis – que esteve mal no Scolari. O Zidane – eleito 3 vezes o melhor jogador do mundo – fez o mesmo não há muito: - foi para os cornos a um filho da puta que chamou puta à mãe dele…Tudo bem…
O que esteve mal no Scolari, acho eu – e não lhe perdoo – foi ter-nos dado a todos – portugueses e brasileiros – Himalaias de fé na vitória da equipa de todos nós. (…até eu que nem vou em a Footbois e sei a merda nojenta que isto é… andava nervoso…) E depois, esta: - que foi como quem me deu uma patilhada nos tomates!.. a troco de mais uns tostões… – fazer a sujeira de nos virar as costas – sem aviso… Eu nem queria acreditar… Isto foi quási o mesmo que um gajo andar a “galar” – para se “colocar” nela – uma gaja muito boa… E quando pensa que a tem quási na cama, ela faz-lhe um manguito e vai com outro… É de ficar marado… Ficou a Espanha, eu sei, mas não é a mesma coisa: - Porque há diferenças entre uma coisa e outra: - é que se Portugal ganhasse era como ir com a gaja boa e fazer um festival, agora resta a consolação de ganhar a Espanha, que é como, à falta de melhor, fazer uma sarapitola… a malta goza, ninguém nega, pode até dar uns berros…mas no fundo não é a mesma coisa…
Que se terá passado na cabeça do Scolari?… Precipitou-se? Não pensou? Talvez tivesse sido isso. Não sei. O que sei… Do que tenho a certeza é que foi burro: - Burro porque não percebeu que no Chelsea nenhum outro português poderá nunca mais ser treinador depois de lá ter estado o Mourinho. E antes do mais porque o Chelsea é um clube inglês. Não é a selecção de Portugal, do Brasil ou de qualquer dos outros países, Angola, Guiné, Cabo-Verde… onde as pessoas falam – e muitas delas, sem sequer saber ler, – mas que se entendem bem… Porque, no fundo da alma, todas sentem em português com paixão, com entrega total, quando se trata do Benfica, do Sporting, do Eusébio, do Mourinho, do Figo, do Ronaldo… Põem a bandeira no carro, nas janelas, enrolam-se nela e berram “Heróis do mar…”, fazem um cagaçal que nunca mais acaba. Porquê? Porque são todos da mesma “massa”… E é por ser também da mesma massa que o Scolari foi capaz de espicaçar nos jogadores da selecção esse desejo, essa paixão, esse fanatismo, também dele, porque, quando se trata de parentes chegados (filhos, pais, mães, netos, avós…) – e por mais que o queiram por vezes os sábios das Academias de um e outro lado – não lhes é fácil distinguir ou separar portugueses e brasileiros. E as vitórias e as derrotas das selecções de futebol de Portugal e do Brasil são um problema só nosso, um problema de família. Os portugueses pedem a vitória à Nossa Senhora de Fátima. O Scolari reza à Nossa Senhora de Caravaggio…
Vendeu-se por um prato de lentilhas. E com isso terá sido o responsável pela eliminação de Portugal, deixando que os jogadores só na fase decisiva da competição tivessem sabido que o Scolari os atraiçoara, nas suas costas, às escondidas, sem nada lhes dizer, deixando-os sozinhos e entregues à sua sorte, já a pensar noutra equipa, noutros jogadores, noutras vitórias que para ele, por mais meia dúzia de tostões, passaram a ser mais importantes do que a vitória ou a derrota da selecção de Portugal nos quartos de final do campeonato da Europa. Não vai esquecer… Penso por isso Scolari só com dificuldade alguma vez voltará a ser o seleccionador da equipa nacional.
E em Inglaterra, preconizo que também não lhe vai ser fácil ser treinador do Chelsea. Porque, penso eu, o que ele fez não vai ser deixado cair, sem o reparo dos jornalistas ingleses... Vão de certeza chatear… E não só por isso… Mas também e sobretudo porque antes dele foi treinador do Chelsea, um senhor chamado Mourinho. E Mourinho, teve, durante um desafio, um comportamento que o definiu e o impôs a jornalistas de escol da mais qualificada imprensa desportiva do mundo… E tem nos genes a íntima pulsão da superioridade da Inglaterra e de tudo o que é inglês. Donde que, só o facto de o treinador de um dos maiores clubes da Inglaterra (onde o futebol nasceu) ter à sua frente um treinador português – um selvagem – como eles sempre chamaram aos portugueses – porc and beans – é uma afronta, uma vergonha que, no fundo, um jornalista desportivo inglês só pode suportar com dificuldade… Pois o Mourinho (e isso está documentado) durante um desafio foi até junto ao banco dos jornalistas – que estavam a proferir comentários chocarreiros e dichotes – a gozar – e pondo o indicador no nariz – como quem impõe a sua autoridade, compostura e silêncio a crianças – mandou-os calar.
O efeito de surpresa do comportamento do Mourinho – transmitido em directo pela Televisão para milhões de espectadores em todo o mundo – foi o reconhecimento, a nível global e em directo, do escol mundial dos jornalistas desportivos de que estavam perante um líder. Que demonstrou ter, para além da qualidade técnica, a personalidade e o perfil adequados a um treinador de um clube inglês com a categoria do Chelsea… E o Mourinho, a partir daí, passou a ser respeitado em Inglaterra e até idolatrado pelos miúdos das escolas ingleses, que quando ouviam falar em Portugal começavam a gritar em uníssono, Mourinho! Mourinho!... Não creio que o Scolari, no Chelsea, venha a atingir, a murro, prestígio semelhante ao do Mourinho. E daí, quem sabe? É que a Inglaterra foi também o berço do Box… Mas ainda que assim possa vir ser, a baixeza do que fez aos jogadores e aos portugueses em geral, julgo que não terá escapado aos jogadores portugueses que jogam no Chelsea e, pelo menos esses, no balneário, intimamente, vão olhar o Scolari de soslaio... E se assim for, como é esperável que suceda, não é um bom princípio. Em Portugal deixou uma nódoa negra que, ainda que voltasse, julgo não permite que alguma vez as coisa voltem a ser como foram… E exactamente porque o Scolari traiu o sonho de nós todos, portugueses, a quem na grande maioria – não resta mais nada de que tenham orgulho para além da sua equipa nacional de futebol, símbolo e concretização viva do que nós de melhor somos capazes… E Scolari traiu essa fé – a quase certeza de concretização – que os portugueses tinham depositado nas mãos dele, Scolari… Que em Portugal ganhou milhões e foi idolatrado... E esquecido de tudo, foi-se embora, Traiu a nossa confiança nele… e traindo, frustrou o nosso sonho. É um vulgar mercenário. E na Europa do Futebol, envergonhou-nos a todos, Portugueses e Brasileiros.
¶ 6/30/2008 03:56:00 PM
Tal como aconteceu com a “Carta a D. Policarpo”, eliminei o post que escrevi para o Dia dos Namorados. E resolvi eliminá-lo depois de ler um e-mail que a minha filha Rosário me mandou e no qual um homem já velho, talvez até mais velho do que eu – e talvez até mal sabendo ler – conseguiu dizer, em poucas palavras, o que eu em duas ou três dezenas delas não consegui. Eliminado o post primitivo escrevi, outro. Mas também desta vez, sinto que não cheguei lá… O homem do e-mail – talvez mais velho e talvez até mal sabendo ler – chegou.
¶ 2/17/2008 10:35:00 PM
08 Fevereiro 2008
ANTES DO MAIS:
AOS VISITORS E AMIGOS DO BUBA Que se me dirigiram por e-mail e aos quais não respondi e que foram, tanto quanto pude apurar, o Diogo, a Mila, a Dra. Maria Trigoso, a minha Neta Ariadne e a Baby, nova e brilhante Mayor de Sea Bright, N.J… com as minhas desculpas pelo que aconteceu e que se deve ao facto de o meu endereço de e-mail ter sido alterado, sendo actualmente o seguinte: salvadorprata@netcabo.pt. …E por último a ti, Madalena e ao teu Chora-que-logo-bebes. Que te hei-de eu dizer? Eloquor non possum prae lacrimis? como disse Virgílio?… Não. Não é isso. Tu sabes… Tu sentes... Obrigado.
¶ 2/08/2008 04:26:00 PM
04 Janeiro 2008
NO DEALBAR DE 2008
- A TODOS os amigos Do BUBA Um aceno de AMIZADE e o pedido de desculpas pelo silêncio prolongado: - tumular e premonitório. Decorrente dos 85 anos.
António Gedeão …Disse que o sonho comanda a vida… O esfumar do sonho mata a vida. Eu sei: - matou a minha – É a vida... A vida sem sonho, sem ESPERANÇA, não tem FUTURO. ...Sem Sonho…Pessoa: …a Vida não Vale a pena.
QUERIDOS AMIGOS de Vila do Conde…… Vão. Rumo ao FUTURO com FÉ na VIDA. No SONHO…
Vou contar-vos outras histórias. Não, histórias que eu tivesse imaginado, como as que vos contei; mas histórias da minha vida. Eu volto. Prometo. Avô Salvador.
¶ 1/04/2008 06:38:00 PM
29 Dezembro 2007
O MEU PRESÉPIO O Presépio que fiz, num recanto da minha casa, celebra, duma forma diferente da tradicional, o nascimento de Jesus. Que para mim simboliza o sinal divino da IGUALDADE DO SER HUMANO no NASCIMENTO e no JULGAMENTO FINAL perante o Juiz supremo…
Acolitado pelas cavalgaduras do costume…
…No dia em que se completaram 59 anos de casados… e enquanto tentava aquecer as mãos geladas da minha mulher, recordei-me dum episódio que ocorreu – e a que assisti – quando, embora já casados, ainda só haviam passado dois ou três… Vivíamos, nessa altura, num Concelho, muito pobre e muito frio, do interior do país, onde eu., a custo, embora já Licenciado, tinha arranjado um modestíssimo emprego. Na Câmara Municipal. De que era Presidente um comerciante, filho da terra... Pertencia a uma extinta estirpe de pessoas semelhantes a troncos de árvores, muito antigas, com raízes fundas na terra - gente de trabalho, honesta, com quem se podia contar... O Luís Nunes era desses… Tinha uma “venda” na loja do prédio, onde vivia. Dum lado vendia… vendia tudo, como, ao tempo, era costume; e do outro, era taberna. Tinha uma tábua a separar, os dois espaços porque, por lei – (nesse tempo – e julgo que, em todos – a “higiene” dos alimentos… e a burocracia… foram sempre a mesma merda). Não podiam estar juntos os dois estabelecimentos. De forma que, o Luis Nunes tinha mandado fazer (ou fez ele, não sei…) uma divisória com uma folha de contraplacado e, na altura já empenada, com um buraco no meio, que servia de porta, que não existia, entre um lado e o outro… Estava sempre a cair… não servia para nada. Só para estorvar… Mas cumpria-se a Lei. Entre nós foi sempre assim… à portuguesa: - só para inglês ver … …Naquela manhã de Dezembro estava um frio de morrer – uns graus abaixo de zero – quando vim à “venda” do Luis, para me assinar um papel qualquer… Estava agachado no chão... à frente dele, um miúdo. Muito pequeno ainda. Talvez cinco, seis anos. Franzino… tremia… o frio era muito… …Quando, no dia em que fiz 59 anos de casado, agarrei nas mãos geladas de minha mulher e as aqueci nas minhas … Voltei a “ver”, o Luis Nunes: - agachado, um joelho no chão, a aquecer as mãos do filho… Há coisas na vida, imagens, expressões, sei lá… que ficam gravadas… Voltei a ver o Luis, agachado nas lajes, apertando nas dele, as mãozitas do filho …e voltei também a ouvir o Luis Nunes, – meio envergonhado – quando levantou os olhos e surpreendido. me viu: - “Estava aqui a aquecer as mãos a este desgraçado!”… Foram, as palavras do amor mais puro, dum Pai a um Filho – que ouvi e ficaram para sempre gravadas em mim, com as duas figuras -do mais belo presépio, que vi na minha vida…
¶ 12/29/2007 01:34:00 AM
24 Dezembro 2007
SEGREDO DOS DEUSES
23 de Dezembro de 1948 23 de Dezembro de 2007
a Ilda e eu
Está frio. Hoje está muito frio. A Ilda chegou agora da rua. Agarrei-lhe as mãos geladas e meti-lhas debaixo dos meus braços. Abracei-a e tentei aquece-la um pouco. Esfreguei-lhe as costas e apertei a minha cara junto aos cabelos dela. Está fria Está muito fria… Quando lhe agarrei nas mãos e as pus debaixo dos meus braços, também senti muito frio … Mas continuei a apertá-la contra mim e deixei que a minha boca continuasse junta aos cabelos dela a respirar ar quente, ao mesmo tempo que lhe pontilhava com a língua, o pescoço, as orelhas. Como quando tínhamos 20 anos… Encolheu-se, protestou, tentou libertar-se. “Estás-me a fazer cócegas”… riu-se. Nervosa… Senti - vindo dela - não sei o quê… E ela, - senti que também sentiu…e percebeu, que, das mãos dela, apesar de geladas - milagre de Jesus - caía calor dentro de mim… …Depois...não sei... se, não obstante os “protestos” murmurados - como mandavam as regras do recato e de decência às meninas do seu tempo… para além das minhas, a mão do menino terá feito nela o mesmo milagre que fez comigo: - fazendo também cair, dentro dela, o meu calor... Não sei… Que esta espécie de “milagres”, quando acontecem com senhoras de outros tempos, recatadas, decentes… só Deus sabe... É segredo dos deuses.
Querida Ilda. Muito tempo passou…uma vida. Para ti, eu sei, de mim. Nem sempre tudo foi bom. Para mim, do quase nada que foi bom, o melhor, foste tu… Obrigada. Salvador.
¶ 12/24/2007 06:56:00 PM
13 Julho 2007
Sonho (ou tsunami?) dum domingo de Verão
Se eu tiver menos de 51% nas eleições do próximo domingo – o que equivale à recusa do povo de Lisboa em me dar a maioria absoluta para eu poder executar o meu programa… Renuncio – democraticamente (o povo é quem mais ordena) – ao direito de ocupar o lugar de Presidente e regresso ao meu lugar de segundo no Governo. Donde poderei fazer o que quiser de Lisboa, onde, paralisada, a Câmara (ardente) Municipal nada poderá fazer. Com a vantagem de eu poder, talvez, para além do toureiro que cortou orelha e rabo na garraiada municipal, vir a ser o matador que sai em ombros como o grande triunfador da tourada nacional.
Aborto: SIM OU NÃO? Carta aberta a Sua Eminência o Cardeal Patriarca D. José Policarpo (II)
Fui levar o cão à rua. O meu vizinho, sapateiro – sem as vestes de trabalho habituais – era domingo… “dia de ver a Deus e à Joana” – saiu-me ao caminho e enquanto falava: - Como está?! – meteu-me um papel no bolso da camisa. Disse-lhe: isto vai mal: Estou pronto: - Dói-me tudo! Olhou-me por momentos concentrado e sentenciou: é a P.D.I.. A P.D.I.? O que é isso? Perguntei. É a porra da idade, esclareceu. Concordei. Quando cheguei a casa tirei o telemóvel do bolso da camisa. Agarrado veio o papel que o gajo lá tinha metido. Vejam:
Surpreendido – não me lembrava… – perguntei-me: - que merda é esta? Depois recordei-me: - era o papel que o sapateiro me tinha metido no bolso… Intrigado, voltei a perguntar-me: - Quem é que terá convencido o sapateiro, de que eu é que sei quem é o Jeová? Só Deus sabe…
II – O MEU VIZINHO CANGALHEIRO
Ao fim da tarde, já lusco-fusco, voltei a levar o cão à rua. Encontrei outro vizinho, dono da agência funerária, localizada um pouco mais abaixo da porta do prédio onde moro.
Quase todos os dias, quando vou passear o cão, o meu vizinho cangalheiro me vê e vê como ando (… como me arrasto) cosido com dores, a ter que parar, depois de dar uma dúzia de passos – às vezes menos – e a necessidade que tenho de me “sentar” no capot de um qualquer dos automóveis que atravancam o passeio. E cumprimenta: Como está? Passou bem? Embora bem saiba – diz-lhe a larga experiência de lidar com mortos – que eu não tardo a ser mais um… no rosto, acima da linha do sorriso, vejo-lhe o brilho guloso do olho; e atrás do olho, como se estivesse impressa no pé da 3.ª circunvolução frontal ascendente (vulgo Centro de Broca) a pergunta: - “Quando é que o cabrão do velho deixa, de vez, de trazer o cão à rua?”. E, quase como se fosse seu parente – o que julgo, talvez não seja o caso – vai afagando o Buba com aparente ternura; embora, eu tenha a quase certeza de que os afagos do cangalheiro serão, no fundo, de natureza mais comercial do que afectiva: - tendo para mim, como certo, que o meu vizinho cangalheiro o que tenta é conseguir, assim, a preferência – do morto que praticamente eu já sou – na escolha da sua agência para me fazer o funeral. …Precisamente por isso, os gemidos de prazer do cão – filho da puta, hedonista – ao receber as carícias do cangalheiro, soam sempre aos meus ouvidos, meio surdos – já não descodificam o que ouvem – como se fossem os dobres de finados da sineta, à chegada da carreta à porta do cemitério.
III – O MEU FUNERAL
Quando voltei a casa, deitei-me sobre a cama para descansar um bocado e de cansado que estava, adormeci. Depois – e talvez por motivo das festas do cangalheiro ao cão – sonhei que tinha morrido... E enquanto sonhava, pensei: - ora ainda bem. Já não era sem tempo... Depois vieram – ou sonhei que tinham vindo – uns gatos-pingados que pegaram no morto que restava de mim e levaram tudo para uma capela mortuária. E lá fiquei. E, sendo certo que estava morto e não tendo, de momento, mais nada que fazer, resolvi pensar na minha vida. E enquanto assim pensava, ia passando o tempo, embora eu não soubesse exactamente, – porque estava morto – se estava a sonhar ou estava só a dormir. E em boa verdade, só poderia sabê-lo se voltasse a despertar o que não era de esperar uma vez, tudo levava a crer, que estava morto.
Entretanto vou continuar a pensar e amanhã logo vejo: - ou não acordo e confirma-se que estou morto, ou acordo e continuo a contar-vos o meu sonho. Agora vou mesmo dormir, se é que realmente ainda estou vivo, embora a sonhar que estou morto.
¶ 6/15/2007 06:01:00 PM
11 Junho 2007
MEUS AMIGOS
Catarina, Cláudia, Fátima, Lino, Margarida, Maria André, Marta, Nuno, Pedro, Roberto, Rui e Tânia,
Há já muito tempo prometi que vos ia mandar outra história. Não mandei: - é que, quando a reli, achei que era demasiado longa, repetitiva, cheia de entrelinhas... Resolvi por isso encurtá-la e tentar torná-la mais legível, menos cansativa: - cortei daqui, emendei dali e tanto mexi, que, como vocês vão ver, ficou praticamente reduzida a uma coisa sem pés nem cabeça. E na cabeça é onde eu, este tempo todo tenho andado a coçar sem saber como vou descalçar a bota… Pensei, pensei e, finalmente, como se costuma dizer, acabei por decidir: - o que não tem remédio, remediado está: portanto fica assim mesmo e pronto. Tal como a primeira história que vos mandei – a do Carvoeirito – também não dei fim a “Era uma vez um rei”; por uma razão: - é que a história do rei que agora vos mando é no fundo a história também sem fim da luta fratricida, entre os seres humanos pela posse, fruição (e delapidação) dos bens da Terra que, sendo só afinal uma infinitésima parte do Universo, suscitou, entre eles, desde sempre, problemas que persistem, sempre os mesmos, tal como os que na história se depararam ao rei.
…E embora custe a acreditar o certo é que os seres humanos continuam – e desde há milhões e milhões de anos, – a viver uns com os outros – na Terra, – a tentar tirar-lhe o equilíbrio, a delapidá-la, a destruí-la, comportando-se como tarados, psicopatas, a matar-se uns aos outros e a matar inocentes na ânsia paranóica da conquista do Poder e da posse do Ouro: Enquanto ao mesmo tempo chafurdam nas pocilgas da alma E depois morrem! Simplesmente… Se alguma vez vocês forem ao Google e pedirem o BUBA – é o blogue do avô – poderão ler outras histórias – e não só – que o avô Salvador lá deixou. …………….
E agora aí vai a história
ERA UMA VEZ UM REI… muito poderoso em cujo reino a vida decorria como no paraíso: - não havia miséria, nem maldade e as pessoas eram felizes. E a felicidade do povo era a felicidade do rei que a todos falava e ria com saudável alegria. Um dia porém, sem se saber como, alguém apareceu com um pedacinho de um metal desconhecido, amarelo e rutilante. Sabendo o rei do achado, logo mandou que o achador viesse a ele: e mais mandou que o metal fosse entregue aos sábios do reino; aos quais o rei logo também cometeu o encargo de estudarem o achado -o ouro – nome pelo qual, sem que se saiba porquê, o metal, começou a ser chamado e conhecido. … E logo que, passado foi algum tempo, vieram de novo os sábios ao rei a quem confirmaram ter grande valor a descoberta. Pelo que logo se encheu ao rei o coração de alegria. E logo também, ao saber dela, alvoroçados muitos se partiram em busca do precioso metal… E tantos foram que, algum tempo depois, dele havia já, tal abundância, que todos o possuíam. Por seu lado, também os cientistas e artífices não descuravam seu trabalho em seus laboratórios e oficinas onde iam descobrindo do metal, segredos e qualidades quer – quando entesourado, – como reserva da segurança de todos; quer quando trabalhado em jóias de rara beleza e de valor inestimável. Mas – logo advertiram os sábios – só pelo seu uso também sábio – moderado e prudente – os proveitos podiam ser melhor repartidos por todos. Entretanto porém e à medida que o tempo foi correndo aconteceu, o que até então, nunca acontecera, quando o ouro não existia: - é que, alguns, dos que o acharam, vendo quão grande era o valor dele, começaram excogitando que guardá-lo só para si, melhor coisa seria que entregá-lo sem mais ao rei para proveito de todos. E se bem o pensaram, melhor começaram a fazê-lo. De bondoso que era, ficou o rei desgostoso mandando em novos editais que todos os cidadãos continuassem a dá-lo nos reais armazéns e oficinas. Pois que só assim, os do Colégio poderiam continuar seus trabalhos no proveito e segurança de todos. Analfabetos, muitos dos súbditos não entendiam editais; e dos que os entediam, alguns não escutaram, do rei, o seu apelo. ...Mas nem assim o rei desistiu de prosseguir na senda do que pensava para todos ser melhor: - fazendo anunciar – para ultrapassar a situação, sem recurso à violência – que seriam dadas alvíssaras aos que, mais egoístas e cobiçosos – não quisessem dar o que, pensava ele – era património de todos – e antes preferissem recompensa. Mas nem assim foi conseguido do metal o necessário, pois se era certo ainda alguns o davam, e outros o vendiam, a maioria o guardava ciosamente e em tal quantidade que o volume das recolhas não chegava para suprir as necessidades das oficinas reais. Pois que, os que o possuíam tinham começado a utilizá-lo entre si como valor padrão nos grandes negócios que entre si faziam; começando também a ser usado como valor de pagamento das prestações de serviços, por parte de pessoas que o não tinham, às pessoas que dele eram abastados. Perante a situação arrepelavam-se já os sábios e os artífices em pânico, por fazer não poderem, à míngua do necessário, aquilo a que dedicavam as suas vidas. E arrepelava-se o rei e os seus ministros ao reconhecer sua impotência. Mandou então o rei, desesperado, reunir novamente todos os sábios do reino para, ainda mais uma vez, escutar deles o que pensavam ou sugeriam sobre o modo de sanar tão insólita como grave situação. Mas eles não sabiam o que ao rei aconselhar, pois que, se uns muito já sabiam do ouro, pouco, – mesmo os mais velhos, – sabiam sobre o egoísmo e a cupidez humana. Mas nem por isso se escusaram a dizer o que pensavam. E disseram uns que a culpa era do rei que oferecia miseráveis alvíssaras como compensação por dádiva de tão valioso produto…que mandasse o rei aumentar o montante das alvíssaras e logo o ouro viria caudaloso e abundante; e castigasse assim o povo, obrigando-o também a pagá-lo por preço mais alto. Outros porém se opunham pois aviltá-lo seria, torná-lo objecto de comércio, como vulgar mercadoria. Competia isso sim, ao rei, convencer os seus súbditos, – e qualquer que fosse a sua condição social – pela brandura e pela persuasão devendo fazer apelo ao altruísmo dos mais ricos, aos seus sentimentos de fraternidade ou mesmo de caridade ajudando os mais fracos, mais pobres ou mais humildes… Defendiam outros ainda que apelasse o rei à intervenção da Igreja e da Providencia divina… Mais radicais, pela negativa, aconselhavam ao rei alguns dos mais velhos – já desiludidos das rectas intenções dos homens – que nada fizesse… e deixasse as coisas como estavam. Pois que o tempo, que tudo transforma, à medida que fosse passando, resolveria por fim, aquilo que por insolúvel, por todos, agora, era tomado. E assim, ao sabor de opiniões tão diferentes, sucediam-se os éditos reais que, por vezes contraditórios, não só nada resolviam, como também, por vezes, contribuíam para aumentar a confusão. …Sem saber que decidir ou mais fazer, mandou o rei em desespero que os sábios e artífices se fossem também eles à descoberta de novos filões auríferos. O que fez muitos deles começarem a interrogar-se entre si, em jeito de conspiração: - mas que teremos nós, – artífices e homens de saber – a ver com tudo isto? Nós fazemos, e bem, o que a nós compete – Continuamos uns, aprofundando nossos estudos e experimentações; somos, outros, artífices de rara habilidade, fazendo jóias cada vez mais belas e valiosas… Que temos nós a ver com minas e filões? É a ele, ao rei, que compete resolver os problemas da governação. Pois que os resolva, ele que detém a força e o poder. Que escolha sábios que percebam de terrenos e jazidas. É de geólogos e mineiros que ele precisa, não de nós. E daí que decidiram ir – e foram – dizê-lo ao rei Que, abatido, reconheceu que tinham razão. …Sem atinar com solução mas também sem dela desistir, continuava o rei a ensaiar, embora sem resultado, novas ideias. Enquanto via também ir aumentando o descontentamento já que o tempo passava e não se vislumbrava melhoria. Nos concílios, ouviam-se já vozes exaltadas e em conciliábulos, arremedos de mal contido nervosismo. Fora deles, o povoléu também esbravejava clamando por justiça. Gritavam já uns, mais impulsivos, que também os sábios arrecadavam e faziam negócio com o metal; dizendo outros que possivelmente era o próprio rei que arrecadava lucro com a situação… que havia especulação abusiva, monopólios, interesses escondidos… tudo enfim se inventava e dizia como certeza porque ninguém sabia exactamente o que se estava a passar. E era tanta, a certa altura, a confusão que alguns sábios e artífices, começavam já de desertar montando suas próprias oficinas, para aí, mais em sossego, começarem a fazer aquilo que, pensavam, o rei deveria fazer e não fazia: - comprar por melhor preço aquilo que se obstinava a não pagar como devia e a vender também por preço abaixo do que devia. E chegaram as coisas a tal ponto que agora eram já alguns dos antigos sábios e artífices que por vezes vendiam às oficinas do rei, por preço exorbitante, aquilo que o rei, por melhor preço, não quisera comprar antes. Pois pagava-o agora mais caro (…no fundo era o povo que pagava), o que ainda mais fazia sofrer o rei. Que, nada ouvia que já antes não tivesse ouvido, nem sábio conselho que sem resultado já também não tivesse seguido…mesmo os que tinham vindo anunciar-lhe soluções milagrosas conseguidas em outros reinos distantes onde o malfadado binómio abundância – miséria tinha sido finalmente resolvido. Mas o rei, viajado e culto, encolhia os ombros, pois bem sabia que ao seu povo, não serviam as apregoadas soluções nem valiam as falazes teorias de sábios de outros reinos e países. Entretanto algumas oficinas, já competiam entre si: - à conquista de adesões, fazendo cada uma a propaganda dos nomes famosos dos sábios que orientavam as suas pesquisas com a invocação de pergaminhos e apelos à defesa da Honra, da Justiça, do Bem comum… E por fim, – já perdido por todos o norte e a vergonha – lançando mão de tudo: - do suborno, do compadrio, do tráfico de influências – para aumentar os seus proveitos. Os sábios já muito velhos e próximos da morte, – esses definhavam de desgosto e de vergonha, não sabendo também o que fazer para abrir novos caminhos que no futuro conduzissem à antiga alegria do povo: - uma sociedade de que também fazia parte gente pobre – sem ouro –, vivendo alguns com muitas com dificuldades – mas no fundo mais humana: mais solidária, mais honrada e mais digna. …Até que um dia, sem escolta, de cabeça perdida, saiu o rei do seu palácio, à desfilada em seu fogoso corcel para refugiar-se, só, consigo mesmo, na paz e na solidão dos campos. Já longe do palácio real, absorto em seus pensamentos, soltou as rédeas ao cavalo, deixando-o seguir, sem comando, em liberdade. E sem curar por onde, foi andando até que se achou o rei junto a um regato onde o corcel parara para beber… Espalhado, retouçando a relva, um rebanho pastava, guardado por seu pastor. Acordado de seus sombrios pensamentos dirigiu-se o rei ao pastor sem se dar a conhecer. E com ele começou a falar-lhe das ovelhas, dos pastos e de outras coisas que, julgava ele, poderiam interessar ao pastor – até que pensou: e se eu falasse de questões mais sérias a este homem simples do povo, embora não saiba ler? Que perco eu em ouvi-lo se já tenho ouvido tantos, quase tão analfabetos como ele, embora – aldrabões, vigaristas – digam que são doutores? Porquê, não tentar que me diga, qual a sua opinião? (a ele que nem sequer adivinha quem eu sou.) – e portanto sem receios de me ofender ou obrigação de me lisonjear? E assim pensando, assim falou: olha lá, tu sabes o que é o ouro? Eu sei sim senhor, respondeu o cabreiro, que ao vê-lo assim – sem séquito e sem companhia em tão sertanejas paragens – o tomara por qualquer fidalgote amalucado e pobretana. Então diz-me lá: - se tu tivesses muito ouro e soubesses que alguém tinha dele necessidade e não o tinha, tu eras capaz de lhe dar algum do teu? Porquê? Respondeu o cabreiro. Porque havia eu de dar a desconhecidos, sem razão forte, e sem compensação o que era meu? Que tenho eu a ver com os problemas dos outros?... A dá-lo preferia vende-lo: - que um pouco mais de dinheiro, nunca me faria mal nenhum… Sem respostas que, logicamente aceitáveis, pudesse dar ao pastor, concluiu o rei, que o egoísmo era atributo genético do homem, racionalmente incontornável – Exactamente como acontecia com qualquer outro animal; – pondo cada um antes de tudo, a sua vida, os seus interesses e as suas próprias necessidades. Tudo ainda agravado – por motivo de sentimentos também próprios da natureza humana – como a inveja e a vaidade – eram precisamente os mais pobres que – muitas vezes a crédito imitavam o modo de viver dos mais ricos: - viajando e vivendo acima das suas possibilidades, sem perceber que os ricos podem gastar ou mesmo esbanjar, porque tem ouro suficiente – ou mesmo demasiado, (amontoado muitas vezes e durante gerações, à custa da fome e do sofrimento dos que vivem só do seu trabalho). …E assim, mergulhado em tão tristes pensamentos – foi-se o rei de volta ao seu castelo a meditar, desalentado…
Termino Um grande obrigado a Vocês, e uma palavra de apreço à Dra. Emília Miranda e às distintas professoras da
ESCOLA EB1 DA JUNQUEIRA… Largo Dr. Carlos Pinto Ferreira 4480-286 Junqueira
que vos ajudaram a fazer e a pôr na Netescrita os vossos belíssimos trabalhos . Até breve ou até sempre. O Avô Salvador
De: salvador.prata@netcabo.pt Para: info@eb1-junqueira.rcts.pt Assunto: Netescrita Enviada: ter 12-06-2007 17:40
Ao Conselho Directivo da Escola EB1 da Junqueira
Exmos. Senhores e Senhoras,
Alguns alunos da Escola EB1 da Junqueira publicaram o ano passado, no blog Netescrita da Sra. Dra. Emília Miranda, alguns trabalhos que refiro no post que publiquei ontem, dia 11 do corrente mês, no meu blog, o Buba, cujo texto remeto em anexo. Desejaria levar ao conhecimento dos referidos alunos o texto do post em que lhes remeto uma nova história em cumprimento de uma promessa que há muito lhes tinha feito; mas desconhecendo onde os poderei encontrar, venho pedir a V. Exas. o melhor interesse no sentido de identificar a escola onde este ano estão matriculados os referidos alunos, em ordem a levar ao seu conhecimento o texto da história mencionada e o meu renovado agradecimento, aliás, extensivo aos professores ou professoras que os ajudaram na efectivação dos trabalhos que inicialmente menciono.
Aborto: SIM OU NÃO? Carta aberta a Sua Eminência o Cardeal Patriarca D. José Policarpo.
Eliminei o post. Não me revi nele. E, entendê-lo, julgo que não terá havido ninguém. Se é que alguém conseguiu lê-lo. Repetiu-se o que, há muitos anos, já me tinha acontecido. Foi assim:
Eu tinha prazo para entregar um recurso para o Supremo. Na Relação, apesar de eu ter carradas de razão, julgava eu, os Desembargadores provaram ser os burros do costume quando e na hipótese de nos dizerem que não temos razão – E foi assim que me lixaram e, sem o dizerem, expressamente, acharam que eu não dizia a verdade toda – e era verdade – e só tinha alegado o que me convinha; de tudo o que sobre o assunto, com certeza os mestres na Faculdade tinham tentado ensinar-me e, pelos vistos, – pensariam os Desembargadores –, sem grande resultado. Eu, já batido nos truques e nas manhas do foro, apercebi-me já tarde, que por meu azar e contra o costume, algum dos Desembargadores estava acordado quando leu as minhas alegações do recurso. Posto perante a situação, meti-me em brios e pensei: cabrões! Eu vou mostrar a estes gajos com quem estão metidos. Irei outra vez perder a merda do recurso, mas aquelas bestas de saber, auto alcandorados ao nível dos deuses, e como eles omniscientes, infalíveis, perfeitos, vão ter que sofrer como cães e puxar pelo bestunto se quiserem provar, mais uma vez, que eu não tenho razão. Porque que a não tenho, só eu sei. Mas só eu. O melhor, ao nível dos deuses, infalível, e não eles, incipientes aprendizes de feiticeiro. E, vai daí, gritei, para comigo mesmo, gritando em alta grita: “imos a eles”. Fui procurar a Virgem, ao nicho onde a tenho em minha casa, contei-lhe o que se passava e pedi-lhe que me “cobrisse”, que ia lançar-me na batalha derradeira. E, sem sequer ter ouvido a resposta que certamente me deu, comecei a juntar munições: ideias, argumentos, textos de lei, acórdãos, que os havia – e há sempre para todos os gostos… – e comecei a escrever. Mas as ideias, os argumentos atropelavam-se uns aos outros, como se fosse uma chuva de estrelas ou chuva de lágrimas de foguetes. E eu ia alinhando mais e mais, inúmeros argumentos, intermináveis. E de tal modo que, ao fim de pouco tempo, tinha tanto material, notas, apontamentos, pedaços de textos que a certa altura, fiquei soterrado perante tanto papel com notas, rascunhos, por vezes ilegíveis, sem qualquer hipótese de poderem ser utilizados. Comecei a enervar-me por ver o prazo a correr e começava novamente a escrever outro texto semelhante ao primeiro, ou seja, a repetir e, sem o querer, o que já tinha dito doutra maneira diferente. Depois queria ver se me faltava alguma coisa que tivesse dito noutro texto ou noutro papel qualquer: e começava novamente a ler seis, sete, oito vezes e, entre eles, achava um ou uma parte de um e dois ou três pedaços dos outros que me pareciam melhores, só que lhes faltava ainda pormenores que eu sabia que constavam de outros papeis quaisquer perdidos no meio de outros… largava o primeiro, pegava noutro e depois…pegava noutro… resultado: ia dando em doido: a ver os dias a passar e eu…nada. O meu colega de escritório, admirado, sem perceber a razão da demora, dizia-me:” então, o recurso?” E eu:” está quase!” “Quase? traga isso e nós dois (muitas vezes era assim) fazemos isso numa hora…” “Obrigado, dizia eu. Eu faço aquilo sozinho…” Resultado: tenho a perfeita consciência de que, como advogado, fiz muita coisa razoável e também fiz muita coisa menos boa, mas merda, como aquilo, é que nunca. Excedeu tudo. De tal maneira que eu nunca tive coragem de mostrar ao meu colega aquela porcaria, porque, se o tivesse feito, corria o risco de ele deixar de me falar e fazer constar que não me conhecia ou de dizer, mesmo, de que não tinha a mínima ideia de quem eu fosse. Em suma, o resultado de tudo foi um tremendo e merecido bofetão dos conselheiros e alguns terem passado (até antigos colegas bastante burros) a olhar para mim com um ar apreensivo. E, para mim, pessoalmente, foi uma experiência de tal modo gratificante que, passado algum tempo, deixei a advocacia que, quando a exerci, assumiu, sobretudo, a forma de jogos de inteligência com base no saber, e tendo, como ideal, ajudar a fazer justiça. …E antes de prosseguir, não resisto a dizer que este espírito era o meu e, em geral o dos meus colegas, orgulhosos da toga que vestiam. Antes de a Advocacia se ter tornado actividade de sociedades de advogados, em que dezenas deles, são meros empregados por conta de outrem e cujo objectivo deixou de ser a justiça, sobretudo na defesa dos humildes, dos que nem sequer sabem ler, quanto mais os direitos que a lei lhes confere -e a quem por sua vez, os órgãos do Estado que os deviam garantir são, quantas vezes, parece que, sadicamente, os que mais se encarniçam em denegar justiça, desprezando, ostensivamente e perante a passividade geral, os direitos mais elementares do cidadão e, em especial, o seu direito mais sagrado, como pessoa, a liberdade. Fica o desabafo. E, prosseguindo… Amanhã ou depois, vamos continuar a tentar dizer aquilo que antes não conseguimos. Se Deus nos ajudar. Entretanto deixo-vos a única coisa do post que, julgo, valeu a pena: a Virgem Maria a chorar. Talvez com pena de mim.
Avé Maria Cheia de Graça O Senhor é convosco Bendita sois Vós Entre as mulheres Bendito é o fruto do Vosso ventre Mãe …